Escritor e psiquiatra chegou a 11% em levantamento e aparece em terceiro lugar; analistas apontam que seu crescimento pode ter impacto decisivo no segundo turno
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo personagem de destaque. O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato pelo Avante, apresentou forte crescimento nas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira (31) e passou a ocupar o terceiro lugar na disputa, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa BTG Pactual/Nexus, Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto, um crescimento de nove pontos percentuais em apenas uma semana. Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 31% no cenário pesquisado. O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre os dias 28 e 30 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro levantamento recente, da AtlasIntel/Bloomberg, também mostrou avanço expressivo do candidato. Cury passou de 1,6% para 7,8%, crescendo 6,2 pontos e empatando tecnicamente com Renan Santos na terceira posição.
A principal dúvida provocada pelo crescimento do candidato é justamente essa: o avanço de Augusto Cury está atingindo mais Lula ou Flávio Bolsonaro?
Segundo análise do cientista político Pablo Ortellado, o crescimento de Cury estaria relacionado principalmente à busca de parte do eleitorado por uma alternativa à polarização entre lulismo e bolsonarismo. O candidato teria conseguido especialmente atrair eleitores mais jovens, que demonstram interesse em uma opção diferente dos dois principais polos da disputa.
A avaliação de analistas é que não existe, neste momento, uma resposta simples sobre para qual lado os votos de Cury migrariam. Seu eleitorado reúne pessoas com diferentes perfis políticos e que, em parte, não se identificam diretamente com Lula ou com Flávio Bolsonaro.
A ascensão de Cury também foi acompanhada por uma forte expansão de sua presença digital.
Segundo levantamento divulgado pelo UOL, o candidato ganhou aproximadamente 2,5 milhões de seguidores em apenas uma semana. O crescimento ocorreu depois de sua participação em debates e sabatinas e ampliou significativamente sua exposição nacional.
O fenômeno chamou atenção das campanhas adversárias. A equipe de Lula avalia que, até o momento, Cury representa uma ameaça maior ao campo da direita e não estaria retirando uma parcela significativa do eleitorado petista. Já aliados de Flávio Bolsonaro consideram que o crescimento do escritor pode atingir principalmente candidatos da chamada terceira via.
Mesmo que não consiga chegar à liderança no primeiro turno, o crescimento de Augusto Cury pode ter grande importância para o resultado final da eleição.
Isso acontece porque, caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, os dois primeiros colocados disputarão o segundo turno. Nesse cenário, os eleitores que escolheram Cury no primeiro turno poderão se tornar fundamentais para definir o vencedor.
Na pesquisa BTG/Nexus, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em uma simulação de segundo turno, com 46% para Lula e 45% para Flávio, dentro da margem de erro.
Por isso, quanto maior for a votação de Cury no primeiro turno, maior tende a ser o peso político de seus eleitores na etapa seguinte.
A entrada de Augusto Cury no grupo dos candidatos mais competitivos também aumenta a fragmentação da disputa presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro continuam sendo os principais nomes da corrida, mas o crescimento de Cury mostra que existe espaço para um candidato que tenta se apresentar como alternativa à polarização.
Para os analistas, o grande desafio agora será descobrir se esse crescimento representa apenas um fenômeno momentâneo provocado pela exposição recente ou se Cury conseguirá transformar a popularidade nas redes sociais em votos consolidados nas urnas.
A eleição, que até pouco tempo parecia concentrada principalmente no confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro, ganha agora um terceiro elemento capaz de alterar as estratégias das principais campanhas. E, caso Augusto Cury mantenha a trajetória de crescimento, seus votos poderão não apenas influenciar o primeiro turno, mas também ajudar a definir quem chegará à Presidência no segundo turno.
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