O Brasil chegou a 2 milhões de pessoas que realizavam trabalho por meio de plataformas digitais de serviços em 2025, seja como atividade principal ou secundária. Os dados são da PNAD Contínua, do IBGE, em levantamento realizado em parceria com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho.
Do total, 1,8 milhão utilizavam os aplicativos como principal atividade profissional. Esse número representa um crescimento de 36,8% em relação a 2022, quando eram cerca de 1,3 milhão de trabalhadores nessa situação.
A maior parte está concentrada no transporte de passageiros. Cerca de 1,2 milhão de pessoas, ou 53,9% dos trabalhadores plataformizados, atuavam com transporte particular de passageiros por aplicativos. Outros 585 mil trabalhavam com entregas de comida e produtos, enquanto 313 mil prestavam serviços gerais e 232 mil atuavam em aplicativos de táxi. Uma mesma pessoa pode aparecer em mais de uma categoria.
Um dos principais pontos revelados pela pesquisa está na quantidade de horas trabalhadas.
Em 2025, quem utilizava aplicativos como principal fonte de trabalho cumpria, em média, 44,7 horas por semana. Entre os demais trabalhadores do setor privado, a média era de 39,3 horas. Isso representa uma diferença de 5,4 horas por semana.
Mesmo com a jornada maior, o rendimento por hora dos trabalhadores de aplicativos era 12% menor que o dos demais ocupados do setor privado, segundo os dados divulgados sobre o levantamento.
Outro dado chama atenção para a proteção social desses profissionais. Apenas 34% dos trabalhadores que tinham os aplicativos como atividade principal contribuíam para a Previdência Social. Entre os demais ocupados do setor privado, a proporção era de 63%.
A situação é ainda mais restrita entre motociclistas que trabalham por aplicativos: somente 19,4% contribuíam para a Previdência, o equivalente a aproximadamente uma pessoa em cada cinco. Entre motociclistas que não trabalhavam por plataformas, a cobertura chegava a 37,1%.
Entre motoristas de carros vinculados a aplicativos, a cobertura previdenciária era de 25,5%, enquanto entre os motoristas que não utilizavam plataformas o índice chegava a 59,2%.
A pesquisa também investigou por que essas pessoas ingressam no trabalho por plataformas. Para 24,6% dos trabalhadores, o principal motivo era não ter conseguido encontrar outro trabalho.
Entre os motoristas de transporte particular de passageiros, esse percentual chegava a 33,4%.
Além dos trabalhadores de aplicativos de serviços, o IBGE identificou 210 mil pessoas que trabalhavam por conta própria ou eram empregadoras e utilizavam plataformas de comércio eletrônico para vender produtos. Esse grupo não entra no número de 2 milhões de trabalhadores de aplicativos de serviços.
Os dados mostram que o trabalho por plataformas digitais continua se expandindo no Brasil, mas também revelam diferenças importantes em relação à jornada, rendimento por hora e proteção previdenciária.
Redação Metrô FM Juína
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