O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou preocupação com o chamado Escudo das Américas, iniciativa liderada pelos Estados Unidos que reúne outros 14 países da América Latina e do Caribe no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
O grupo anunciou uma ação coordenada contra 24 organizações criminosas, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Entre as medidas previstas estão bloqueio de bens, restrições de vistos e responsabilização de pessoas que ofereçam apoio material ou logístico às organizações.
Segundo relatos de integrantes do governo brasileiro ouvidos pela imprensa, a preocupação não está apenas no combate às facções. O comunicado do grupo também menciona temas como infraestrutura digital, cooperação econômica e acesso a minerais críticos.
Um auxiliar próximo de Lula classificou a iniciativa como um possível “cavalo de Troia”, argumentando que a agenda de combate ao narcotráfico poderia ser utilizada pelos Estados Unidos para ampliar sua influência econômica e militar na região. Essa é uma avaliação atribuída ao governo brasileiro, e não uma conclusão independente sobre as intenções dos países participantes.
O Brasil não aderiu ao Escudo das Américas. O México também ficou de fora da iniciativa, que atualmente reúne os Estados Unidos e outros 14 países.
O governo brasileiro defende a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas mantém ressalvas quanto à possibilidade de ações estrangeiras em território nacional ou à ampliação da atuação militar dos Estados Unidos na América Latina.
A preocupação ganhou força depois de declarações do presidente Donald Trump na Assembleia Geral da ONU, nas quais afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a utilizar seu poder militar para defender interesses considerados vitais no Hemisfério Ocidental.
Desde junho de 2026, os Estados Unidos classificam oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida permite ao governo americano ampliar sanções financeiras e outras restrições contra as organizações e pessoas associadas a elas.
No Brasil, porém, o enquadramento jurídico é diferente. A legislação brasileira possui critérios próprios para caracterizar uma organização ou ato como terrorismo, e especialistas citados pela imprensa apontam que uma eventual classificação das facções nessa categoria exigiria mudanças na legislação nacional.
Redação Metrô FM Juína
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